Praça do Imigrante está sendo revitalizada para o Bicentenário de São Leopoldo

Comitê do Bicentenário conheceu as reformas que estão sendo feitas no complexo da praça

19/04/2024

Representantes de ACIST-SL acompanharam a visita  que mostrou o andamento da revitalização
Representantes de ACIST-SL acompanharam a visita que mostrou o andamento da revitalização

 

 

 

As obras de revitalização da Praça do Imigrante foram apresentadas nesta quinta-feira, 18, para uma comitiva de integrantes do Comitê do Bicentenário da Imigração Alemã e da administração municipal.  A operação está sendo executada pelo Consórcio São Leopoldo, grupo de três empresas responsáveis pelas obras de modernização da Rua Independência. Situado entre a avenida Dom João Becker e a Rua Grande, todo o complexo da praça será restaurado. A visita contou com a participação da ACIST-SL, que esteve representada pelo vice-presidente de Comércio, Daniel Egewarth, e pela diretora de Relações Governamentais, Madeleine Hilbk. “Estou muito feliz em ver que esta praça, pela qual temos tanto carinho, está recebendo a atenção do Poder Público”, destacou Madeleine, que em 2021 integrou o grupo da ACIST-SL que solicitou o tombamento da Praça junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).  A iniciativa coletou assinaturas de empresas e entidades da sociedade civil, cujo texto foi assinado pelo prefeito Ary Vanazzi. De acordo com o historiador e coordenador do Patrimônio Histórico da Secult, Márcio Linck, o processo ainda segue em trâmite no IPHAN e se aprovado será o primeiro bem material tombado do município a ser reconhecido em nível nacional.

 

 

Obras - O Consórcio começou pela colocação do calçamento no trecho entre a praça e a Câmara de Vereadores, que já foi finalizado. Também estão sendo retiradas as pedras portuguesas do entorno do equipamento público e recolocadas por uma equipe de calceteiros. Antes da remoção das pedras, o Consórcio fez um levantamento por georreferenciamento, com a finalidade de definir a localização correta do pavimento em mosaico composto de simbologia maçônica nas calçadas. 

 

Outra ação será a limpeza do monumento no centro da Praça do Imigrante, a revitalização do passeio próximo ao dique com a colocação de calçamento em pavs. A praça também ganhará mais bancos em seu mobiliário e nova iluminação. A obra de restauro deve seguir pelos próximos 90 dias.

 

Conforme Ary Vanazzi, esta revitalização é apenas a metade de um projeto, que compreende um deck entre o dique até próximo à Ponte 25 de Julho. Nele, haverá bares e restaurantes em uma parceria público-privada, para que possam ser realizados eventos diversos. Essa parte será licitada e deverá ser iniciada no segundo semestre deste ano para terminar em 2025, calcula Vanazzi.

 

O vice-presidente de Comércio da ACIST-SL, Daniel Egewarth, comentou que esta parceria público-privada será muito benéfica para os empreendedores ligados ao lazer e à gastronomia, que poderão concorrer como permissionários. Ele destaca ainda a ampliação da rota de turismo e de lazer para a comunidade tanto local como de visitantes. 

 

 

História da Praça do Imigrante ou Praça Centenário

 

Segundo o historiador e coordenador do Patrimônio Histórico da Secretaria de Cultura e Relações Internacionais (Secult), Márcio Linck, o projeto embrionário da atual Praça do Imigrante teve início por volta de 1830, quando o diretor da então Colônia de São Leopoldo, José Thomas de Lima, definiu que aquele espaço seria uma área de lazer. “A planta piloto do topógrafo Miguel Gonçalves dos Santos previa que toda aquela extensão entre onde hoje é a praça em direção a rodoviária seria um espaço único. Porém, não existia a Ponte 25 de Julho sobre o Rio dos Sinos, que foi construída entre 1871 a 1875. Ponte esta que é o primeiro bem tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do RS em 1980, então a construção da ponte acabou dividindo ao meio o espaço destinado para ser um complexo único da praça”, explica Márcio.

 

O local da Praça do Imigrante e seu entorno foi por muito tempo o ponto principal (ou central) de comércio e de escoamento daquilo que era produzido na colônia, pois ali ficava a passagem formada pelos bancos de areia em época de águas rasas, que permitia a travessia a pé de uma margem à outra do Rio dos Sinos. Essa passagem deu origem ao nome Rua do Passo, primeiro nome da atual rua Independência. “Nesse ponto também havia os vivandeiros (ambulantes da época) que comercializavam víveres que a colônia não produzia. Esse "cais" às margens do Rio dos Sinos era o ponto de partida para o escoamento e recebimento (ou transporte) das mercadorias que abasteciam a colônia e a capital Porto Alegre”, sustenta o historiador Márcio Linck.

 

Para marcar o Centenário da Imigração Alemã em 1924 foi construído um monumento inacabado de pedra, onde hoje consta a inscrição em relevo “Den Vätern Zum Gedächtnis”, que significa em tradução literal “Em memória dos nossos antepassados”. A praça recebeu então a denominação de Praça Centenário.

 

Somente em 1927, a Praça do Imigrante começa a ganhar os contornos de hoje. O Intendente (prefeito) João Corrêa decidiu dragar o Rio dos Sinos e fazer o aterramento no entorno da Praça do Imigrante. Foram colocados 17.600 metros cúbicos de areia para dentro da praça. “Os trabalhos foram concluídos em 1933 e a praça inaugurada em 1934 pelo Intendente Theodomiro Porto da Fonseca. Ela também tem traços no estilo francês. Neque mesmo ano, junto com a inauguração da praça, o município realizou duas grandes obras: a faixa de cimento, considerada a segunda do Brasil, que se estendia de São Leopoldo passando por onde hoje é o Horto Florestal até Porto Alegre, e a grande feira de expositores da indústria alemã em comemoração aos 110 anos”, revela o professor Márcio Linck.

 

 

Lei de 2022 preserva patrimônio material

 

O patrimônio cultural material de São Leopoldo está amparado pela lei municipal 9.750, sancionada pelo prefeito Ary Vanazzi. Este instrumento institui normas de proteção e estímulo à sua preservação. Além de constituir, categorizar, listar os bens que compõem o inventário e a Área Especial de Interesse Cultural (AEIC), a lei prevê os incentivos e isenções, como a redução do IPTU e o índice construtivo, para que os proprietários dos imóveis possam preservá-los. A legislação determina o grau de proteção, assim como meios de fiscalização e penalidades para o descumprimento das normas. A lei também estabelece regras para padronização visual de anúncios nas fachadas, entre outras determinações. A aprovação da lei ocorreu em duas votações em dezembro de 2022 e foi publicada no Diário Oficial do Município no dia 14 de fevereiro de 2023. 

 

A lei constitui como patrimônio material de natureza histórico-cultural do município os seguintes bens móveis e imóveis existentes cuja conservação seja de interesse público: edificações, ruínas, conjuntos urbanísticos e paisagísticos, monumentos, afrescos, coleções de determinado acervo, obras de arte e o espólio da antiga rede ferroviária brasileira. A lei protege 265 imóveis e 7 monumentos e praças, dentre eles estão a Praça Daltro Filho (conhecida Praça dos Brinquedos), Museu do Trem, Praça 20 de Setembro (conhecida Praça da Biblioteca), Praça do Imigrante e Ponte 25 de Julho. 

 

 

Fonte: Imprensa ACIST-SL | Beth Renz Imprensa & Relacionamento | Fotos: Elizabeth Renz

› Compartilhe

— LEIA TAMBÉM —

novidades

Receba nossas novidades. Cadastre-se gratuitamente.

Top