Congresso da FEDERASUL: Sororidade, economia e valorização à vida

vento também foi palco do Prêmio Nucleada Destaque, concedido pelo Conselho da Mulher Empreendedora FEDERASUL

23/10/2020

 

O último dia do 16º Congresso da FEDERASUL, nesta quinta-feira (22), reuniu três painéis que, indiretamente, se comunicavam entre si. Na abertura, o II Fórum Mulheres de Negócios, comandado pela presidente do Conselho da Mulher Empreendedora, Têisi Colares e Susan Argenti, diretora de Núcleos.

O primeiro painel do segundo dia buscou falar e compartilhar experiências, bem como parcerias e as expertises de cada uma das integrantes. Dados atualizados dão conta de que o Conselho da Mulher Empreendedora reúne 26 cidades, que totalizam 400 empresárias inseridas em 28 núcleos regionais, junto às Associações e Câmaras de Comércio.  

A empresária Sônia Goelzer, fundadora do empreendimento ecológico Quinta da Estância, em Viamão, foi a painelista, e oportunizou uma rica troca de experiência, que viu na aposentadoria como professora um período para montar um espaço de lazer, há 28 anos. Atualmente o local, que é alicerçado em um regime de governança compartilhada, é referência em ecologia, educação sustentável e lazer, e dispõe de inúmeras certificações.

A presidente do Conselho Nacional da Mulher Empresária, da CACB, Tânia Rezende, reconheceu a importância do papel da FEDERASUL no desenvolvimento e fortalecimento do empreendedorismo feminino no RS.

A presidente Simone Leite e o vice-presidente de Economia da FEDERASUL, Fernando Marchet, mediaram o painel “Perspectivas Econômicas Pós-Pandemia”, que contou com a participação do cientista político, Fernando Schuler; o presidente da Rio Grande Seguros, César Saut e o consultor empresarial Alfredo Fedrizzi.

De acordo com Marchet, visto a gravidade e os danos causados na economia, pela pandemia, as projeções para 2021 eram desanimadoras, porém, ele define que “o ano tende a ser melhor do que se imaginava, basta que sejam retomadas as agendas de reformas. Essa é a alternativa para recolocar o Brasil no trilho certo”, definiu.

O professor do INSPER-SP, Fernando Schuler, analista da política nacional, voltou o olhar para os custos da pandemia, principalmente com os programas de reposição de renda, como o Auxilio Emergencial. “São custos que serão pagos pela próxima geração, com dolorosos reflexos na atualidade”.  

Quanto ao cenário de reformas, Schuler afirmou que o processo ou agenda do assunto sofreu inúmeras travas e intervenções do Governo. “2020 não tem mais chão para aprovar nada, nem modificar cenários. Não há consenso para Reforma Tributária”, disse.

Na visão dele, 2021 tende a avançar em PPPs e PPIs, principalmente nos setores de infraestrutura, logística e saneamento. “Existe uma janela para aprovação de reformas, mas o Governo precisa parar de atrapalhar. Há ambiente no Congresso”, definiu Schuler.

O próximo ano, na perspectiva de César Saut, que também é vice-presidente da Icatu Seguros, o PIB do Brasil deve registrar um crescimento de 4,5%. A taxa básica de juros (SELIC), em 3,25%. A inflação oficial, mensurada pelo IPCA, 3,30% e o câmbio do dólar em R$ 5,20.

Os dados mais preocupantes apresentados por Saut estão voltados ao índice de desemprego, que conforme estudo elaborado pela equipe de economia da Icatu, o Brasil deve registrar 13,3% de desemprego e um custo colossal de R$ 300 bilhões para manutenção da máquina pública.

“O foco deve ser a Reforma Administrativa. O setor público, atualmente, detém apenas 78% dos servidores trabalhando. Isso é inadmissível e um desrespeito com o contribuinte”, definiu. Ele salientou que há exceções entre as inúmeras classes do funcionalismo, e que os problemas estão nos altos salários, díspares com o mercado privado.

O bate-papo também olhou o viés social, esse analisado pelo publicitário Alfredo Fedrizzi. Especialista em relacionamento com o cliente, Fedrizzi reiterou o que muitos de nós já temos consciência: a pandemia mudou nosso comportamento. As relações de consumo se modificaram, assim como houve inúmeras readequações comportamentais, como compra de roupas de grife, que tiveram uma queda expressiva. “O ser humano viu a necessidade da relação, do abraço. De valorizar o que o outro faz. De ver o próximo com um olhar mais humano, de fato”.

O penúltimo painel também contou com uma mensagem do vice-presidente da República, Hamilton Mourão, que relembrou a importância histórica da FEDERASUL na luta pela classe produtiva, bem como no incentivo do associativismo voluntário.

Viver por viver?

Definido por Simone Leite como um momento de “introspecção e de valorização das relações”, o painel de encerramento da 16ª edição do Congresso da FEDERASUL, trouxe o professor e escritor Clóvis de Barros Filho. Provocado pela presidente da FEDERASUL sobre a sensação causada pela pandemia, ele disparou “todos estamos em uma sala de espera. A sensação é essa, porém não sabemos o que estamos esperando”.

Com o tema “A vida que vale a pena ser vivida”, Barros Filho se afirmou no conceito mindfulness, onde se vive a chamada “plenitude da alma”. ”O tempo que existe é o agora, o presente. Passado não existe e futuro é antecipação. Temos que viver o atual, o hoje, o já”, disse.

A vida deve ser sempre, segundo Clóvis “em busca da excelência”, pois “uma vida que não busca a excelência é uma vida entediante”.  A mensagem de despedida pontuou o ato de viver no automático. “Não é viver por viver, mas é preciso continuar vivendo para alcançar todos os valores da vida”.

Ao encerrar o Congresso, Simone reiterou o compromisso com o associativismo e a busca pelo bem comum. “É preciso acreditar, e eu acredito, que o melhor está por vir”, concluiu.

 

 

 

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