ACIST SL – Associação Comercial, Industrial, de Serviços e Tecnologia de São Leopoldo Colonização alemã impactou no perfil econômico da região

27 de maio de 2014

ACIST SL - Associação Comercial, Industrial, de Serviços e Tecnologia de São Leopoldo - Colonização alemã impactou no perfil econômico da região

Conhecer a origem da colonização alemã no Rio Grande do Sul torna possível compreender o atual perfil produtivo do Estado gaúcho. Esta é a conclusão do professor Martin Dreher, que palestrou na edição especial do Momento do Empreendedor, reunião-almoço promovida hoje (27) pela Associação Comercial, Industrial e de Serviços de São Leopoldo (ACIS-SL). O evento teve como objetivo homenagear os 190 anos da Imigração Alemã no Rio Grande do Sul, cuja data será comemorada em 25 de julho próximo.
Doutor em História da Igreja, Dreher vem se dedicando ao estudo da Imigração e Colonização na América Latina. Ele revela que empresas e nomes conhecidos hoje pela comunidade empresarial, como Renner, Neugebauer, Oderich, dentre outros, têm origem no surgimento da colonização iniciada a partir de 1824, cujos imigrantes aportaram em São Leopoldo e foram distribuídas em diversas cidades do Sul do País. “As famílias foram expandindo suas atividades a partir do excedente da produção obtida nos lotes de terra que receberam, chamados de Picadas. A necessidade de vender estes estoques os levou a tornarem-se vendeiros. Com o lucro obtido, abriram novas frentes de atuação, como entregas por navegação, e a fabricação do charque e do couro”, resume. Dreher observa que estas famílias vieram da Europa devido à revolução industrial, que não absorvia mais artesãos e agricultores. “Os governos alemães decidiram enviar seus excedentes populacionais para o exterior. Isto aconteceu em regiões como Hamburgo, Mecklenburg e Oldenburg (Birkenfeld). A Alemanha ainda não estava unificada”.
Ele cita que algumas décadas depois alguns comerciantes aplicaram seu capital na montagem de empresas industriais (fábrica manufatureira), valendo-se de máquinas, ferramentas, capital inicial e mão de obra assalariada, como a Cervejaria Ritter (Porto Alegre, 1894), Fábrica de Capas Impermeáveis de A.J.Renner (São Sebastião do Caí, em 1911), Fábrica de Banha de Adolfo Oderich (Canoas, 1908). A A.J. Renner, por exemplo, evoluiu de uma unidade artesanal para uma indústria. Alguns imigrantes trouxeram consigo capital, experiência profissional e gestão, como Luís Hädrich, que criou uma fábrica de máquinas e fundição em Montenegro e Ernesto Neugebauer, com sua fábrica de balas e doces, instalada em 1891. A abertura de Casas Bancárias, como o Banco Pfeiffer, permitiu a aplicação do capital destes empreendedores.

Consumo – Com um mercado interno mais consumidor, formado por imigrantes pequenos-proprietários e imigrantes operários que já atuavam nas fábricas e nas ferrovias, a indústria do Estado passou a prosperar. Em 1874, ocorre a inauguração do primeiro trecho ferroviário, ligando Porto Alegre a São Leopoldo. Assim, a importação de materiais foi intensificada, formando um complexo metal-mecânico com descendentes de imigrantes como Berta, Gerdau, Becker, Wallig e Uhr. O setor não se vale do setor agrícola, mas fornece utensílios de uso doméstico e máquinas para o trabalho rural (com nomes como Mernack e Bins). “Há um desenvolvimento orgânico entre agricultura familiar, imigrante e indústria”, resume o historiador.

Inovação – Valendo-se de subprodutos das charqueadas, os alemães lançaram mão da inovação. Friedrich Lang criou indústria de sabão e vela, em Pelotas (1874), Carlos Rheingantz funda, em 1873, uma fábrica de tecidos, Carlos Ritter passa a produzir cerveja (1880) e Gustav Poock funda uma fábrica de charutos (1891).
Segundo o pesquisador, o processo da industrialização do Rio Grande do Sul foi peculiar, diferente do ocorrido em São Paulo, Rio de Janeiro e no Nordeste. “O Rio Grande do Sul fez parte de um projeto de ocupação do espaço colonial português. Na realidade, temos apenas 250 anos de surgimento, com a fundação da cidade de Rio Grande e não 500 anos, como o restante do Brasil”, destaca.

Para Siegfried Koelln, presidente da Entidade, a história da colonização alemã gera orgulho para os descendentes e para a comunidade como um todo. “Muitos de nós temos o empreendedorismo e a vontade de vencer diante das diversidades justamente porque viemos de algumas destas famílias”, disse.

Imprensa ACIS-SL
Coordenação: Senha Assessoria de Imprensa
Texto: Elizabeth Renz
Foto: Jean Peixoto


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