Feevale leva prêmio da Renault

07/10/2019

O time multidisciplinar foi batizado de OrniTwizy
O time multidisciplinar foi batizado de OrniTwizy

Estudantes da Feevale venceram o Twizy Contest, etapa internacional do Renault Experience, uma competição de startups da Renault realizada em Paris na semana passada.

Como grande vencedora, a equipe participará do Consumer Electronics Show, evento de inovação automobilística que ocorrerá em janeiro de 2020, em Las Vegas, Estados Unidos, com todas as despesas custeadas.

O OrniTwizy, um carro elétrico voltado a pessoas com dificuldades motoras, conquistou o prêmio de melhor projeto, melhor inovação e melhor análise de custo e modelo de negócio. Uma equipe da Romênia levou o prêmio de melhor protótipo e uma da Turquia de melhor comunicação.

O time multidisciplinar, batizado de OrniTwizy, é formado pelos estudantes Felipe Machado, do curso de Design, Jonata Rocha Fett, de Engenharia Eletrônica, Matheus Furlan da Silva, de Engenharia de Produção, Marco Antônio Fröhlich, mestrando em Tecnologia dos Materiais e Processos Industriais, e Nickolas Augusto Both, de Engenharia Eletrônica.  

Eles foram assessorados pelos professores Juan Almada, Fabiano Nunes e Moisés de Mattos Dias e tiveram o projeto viabilizado pela Diretoria de Inovação, através do Feevale Techpark, pelo Instituto de Ciências Criativas e Tecnológicas (ICCT) e pela Pró-reitoria de Pesquisa, Pós-graduação e Extensão (Proppex).

Segundo Machado, a equipe criou um sistema para que o usuário de cadeira de rodas possa alugar o carro. Estes usuários têm uma taxa reduzida para ser locatária do veículo e não possuem a necessidade de se deslocar até onde o carro estará. 

“Mapeamos pontos estratégicos de Porto Alegre e Novo Hamburgo para propor essa solução. Os carros estarão sempre perto de rodoviárias, do aeroporto, das estações de trem, entre outros. O Twizy é um veículo para duas pessoas, pequeno, leve e utiliza apenas energia elétrica como forma de transporte”, ressalta Machado.

O COMEÇO

O concurso foi identificado pela Diretoria de Inovação e pelo Instituto de Ciências Criativas e Tecnológicas, dois departamentos internos da Feevale. Um grupo multidisciplinar foi formado e o projeto foi redigido em 48 horas. 

“Nós fomos apresentados ao desafio no final de fevereiro e o prazo para inscrições estava marcado para dia primeiro de março. Submetemos o projeto poucos minutos antes do deadline. Por ter sido feito às pressas, não tínhamos muita esperança de passar da primeira fase, mas acabou funcionando”, declarou Frohlich.

Neste ano, a Renault Experience recebeu mais de quatro mil inscritos com cerca de trezentos e trinta projetos, dos quais, trinta foram escolhidos para a pré-aceleração.  

Uma das chaves para o sucesso foi a formação, pelos orientadores do projeto, de uma equipe multidisciplinar. O grupo não foi formado por afinidade pessoal, mas por competências. As disciplinas de design, tecnologia de materiais, engenharia de produção, processos industriais e eletrônica estão representadas no Ornitwizzy.  

Na medida em que foram passando de fase, o projeto ganhou corpo. As primeiras exigências do concurso não eram relacionadas à engenharia, mas ao plano de negócios. Os organizadores queriam, antes de mais nada, estudos apontando a viabilidade econômica do projeto. 

Em seguida, o time  recebeu da Renault um arquivo contendo todo o projeto de modelagem 3D do Twizzy original. Utilizando o software de design 3D Solidworks, eles puderam simular e testar a ideia. Inicialmente, o projeto previa uma abertura frontal no veículo para acomodação de uma cadeira de rodas. 

Através das renderizações do software, foi possível identificar uma falha de projeto. Então, a equipe repensou a solução e partiu para desenho de um braço pivotal lateral, que acabou se provando um design de melhor qualidade, garantindo o prêmio de melhor projeto da etapa brasileira do concurso. 

No preparatório para etapa internacional, equipe se deslocou para Curitiba, onde pôde utilizar parte da estrutura do laboratório de inovação localizado dentro das instalações da fábrica da Renault, na região metropolitana da capital paranaense. Nesta fase, eles receberam suporte de técnicos da montadora e tiveram a chance de apresentar o projeto para o presidente da companhia.  

A UNIVERSIDADE

O prêmio vencido pelos alunos pode ser considerado uma conseqüência do movimento que a universidade deu início no início da década. A Feevale construiu laboratórios próprios em diversas áreas técnicas e ampliou a estrutura para apoiar e atrair empresas. 

Em 2014 a universidade assumiu a governança do antigo Valetech, que passou a se chamar Feevale Techpark.  Em dezembro de 2018, inaugurou o Hub One, que é um espaço para hospedar startups dentro do campus.  

“Buscamos incentivar e promover a aplicação prática, a experimentação dos conhecimentos e habilidades exercitados. Acompanhamos o desenvolvimento do projeto e toda comunidade acadêmica vibrou com  o reconhecimento dos nossos alunos”, afirma João Batista Mossmann, diretor Instituto de Ciências Criativas e Tecnológicas. 

OUTROS PROJETOS

Este projeto de mobilidade surgido na Feevale vem a se somar ao desenvolvimento de um trator com motorização híbrida pela equipe do professor Moisés Mattos. Este projeto tem parceria com a Ulbra e com as empresas Agrovec e JSA Engenharia. Para dar vazão à este e outros projetos de mobilidade, um novo laboratório está sendo montado dentro da universidade. 

* Carlos Martins é idealizador da E-24, a primeira corrida de carros 100% elétrica do Brasil e escreve para o Baguete sobre temas relacionados com indústria automobilística e mobilidade.

Fonte: www.baguete.com.br

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